Entenda o que é a alienação fiduciária e saiba quando o imóvel pode ir a leilão

Entenda o que é a alienação fiduciária e saiba quando o imóvel pode ir a leilão

Por: Maira Scavuzzi

A alienação fiduciária é um modelo de garantia amplamente utilizado em financiamentos imobiliários, mas ainda cercado de dúvidas quanto ao seu funcionamento e aos riscos envolvidos.

Maira Scavuzzi esclarece como se estrutura esse mecanismo e destaca um ponto sensível: em caso de inadimplência, o imóvel pode ser levado a leilão sem necessidade de ação judicial.

No entanto, esse procedimento está sujeito a requisitos legais rigorosos, especialmente quanto à intimação pessoal e efetiva do devedor, sob pena de nulidade dos atos expropriatórios.

A alienação fiduciária é um modelo de garantia que pode ser utilizado alternativamente à hipoteca para facilitar o acesso a crédito para a compra de bens imóveis.

Funciona assim:

  • Para comprar o bem, o devedor solicita um crédito junto a uma instituição financeira
  • A propriedade e a posse indireta do bem visado são transferidas ao banco como forma de assegurar que o empréstimo será pago
  • O devedor recebe apenas a posse direta do bem, e pode utilizá-lo enquanto paga as parcelas
  • Apenas após a quitação do empréstimo é que o bem passa a ser formalmente do devedor

Se o devedor não paga as parcelas em dia:

  1. O banco credor promoverá a intimação do devedor para a regularização do débito (purgação da mora)
  2. Se o devedor não paga, a propriedade do bem se consolida no patrimônio do credor
  3. Consolidada a propriedade, o credor pode, independentemente de uma ação judicial, levar o imóvel a leilão para obter o dinheiro necessário à quitação da dívida

O Superior Tribunal de Justiça decidiu (REsp 2.154.389/SC) que a ausência de intimação pessoal comprovada torna o leilão nulo, salvo demonstração de ciência inequívoca. Não basta apenas enviar carta, e-mail, telegrama ou realizar publicações de editais: a comunicação ao devedor deve ser efetiva.

A perda de um imóvel em leilão depende do cumprimento rigoroso das exigências legais.

A análise jurídica do caso pode ser decisiva para identificar vícios e eventuais medidas cabíveis.

Adam Smith

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